Mineiro de Uberlândia, Juarez Venâncio de Melo nasceu em 16 de janeiro de 1963. Aos nove anos, durante os intervalos das aulas produzia caricatura dos colegas e dos professores. Ainda na adolescência, dedicava à pintura a óleo sobre tela. Em 1974 participou de seu primeiro concurso de arte em Uberlândia, ganhou seu primeiro premio com um desenho a grafite representando sua cidade natal. Foi um grande estimulo que futuramente iria definir sua carreira. Em 1985 mudou-se para Belo Horizonte onde finalizou o curso de Comunicação Visual pela Fundação Mineira de Arte - FUMA, e obteve o bacharelado de Belas Artes com especialização em Pintura pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG em 1991.
Em 1990 Juarez fez sua primeira exposição no Centro Cultural UFMG, Belo Horizonte MG, desde então, realiza exposições individuais e participa de coletivas. Assim, graças a sua criatividade e perseverança de alcançar a excelência técnico-artística, mereceu diversos prêmios em salões no Brasil e na Espanha.
Sua arte sofreu influência de artistas como Lucian Freud, Edward Hopper, René Magritte , Dali, Manet entre outros. A inspiração vinda de grandes mestres, e um censo criativo, caracteriza a originalidade de sua arte. Em seu trabalho duas vertentes definem seu estilo, a primeira, pinta como se fosse escultura formando um trompe l´ oeil com a moldura e a segunda, a pintura é mais densa com pinceladas expressivas. Em alguns trabalhos há mistura dessas vertentes surgindo um trabalho muito característico de seu estilo. Um jogo de luz e sombra cria uma pequena e consistente profundidade causando uma ambigüidade quanto a natureza da obra que parece se lançar para o espaço rompendo a superfície bidimensional. A preocupação mais freqüente do artista é a inversão das visões de interior e exterior, ou de posições opostas, sobre todos os aspectos, forma, natureza e contrastes, frequentemente um quadro dialoga com outro usando esta mesma linguagem.
O repertório visual de Juarez Venâncio é o ser humano em todas as suas facetas e carregadas de uma intensidade emocional impressionante. Uma relação lúdica é definida entre a figura humana e o espaço, muitas vezes o público não percebe numa primeira olhada. A simbologia pode estar oculta na imagem, ou explicita porém intrigante. Em alguns quadros, a simbologia pode não ser percebida é preciso ver a obra por inteiro, a resposta de um enigma; pode não estar na parte frontal do quadro, como Voyeur, temos uma mulher sensual de costas, no entanto o voyeur se encontra escondido na lateral do quadro. Não sabemos se ela percebe ser observada ou não, pois a imagem do quadro se dá na altura do nariz, ocultando seus olhos.
A presença da moldura estabelece um limite de espaço; o desejo de liberdade atinge profundamente tanto a figura expressa na tela , como a nós mesmos. Os corpos se desnudam com naturalidade, até a ingenuidade, ou se envolvem em farto panejamento. O ritmo corporal ágil e denso em algumas obras; em outras, a leveza, a ternura e o encantamento. A cumplicidade entre outros personagens e destes com o autor e espectadores parece ser a alavanca que impulsiona o artista no processo criativo da composição. Figuras que se apóiam uma às outras, se protegem, se acariciam, se amparam, renascem...
A idéia da pedra sempre é um forte símbolo, ela é resistente, dura e provém do solo. Mais resistente ao tempo que a natureza humana, representa o desejo a imortalidade. Em 1994, Juarez Venâncio pintou A Eterna Lição, baseado na Lição de Anatomia do Dr. Nicolas Tulp, onde Tulp e seus alunos são esculturas e o cadáver de carne em cores vivas. Em um contraste entre ação das esculturas sobre o estático, entre a vida e a morte. Surgiu a partir dessa obra um novo estilo com o uso dos opostos, forte simbologia e pedra. A partir de 1995, Juarez Venâncio inspira-se na antiguidade clássica, desenvolve e aprimora sua técnica de pintura a óleo, empregando pinceladas curtas com minúsculos orifícios e veios que imitam a rocha bruta e polida. Foi amplamente desenvolvida e aplicada com a intenção de enganar a percepção do observador, quando este descobre a real natureza do trabalho cria um espanto. Esta inquietude diante do trabalho, o define como uma verdadeira obra de arte. Sua obra pictórica desfaz os limites visuais entre a escultura e o relevo, a fotografia, a pintura e o esmerado desenho anatômico. Nestes dias, poucos se encorajam na façanha da representação do humano, de redescobrir o ideal clássico, a proporção áurea e transpô-los, com ousadia e confiança, para telas e paredes da atualidade. No ano de 2001inspirado em pintores impressionistas como Manet e pintores atuais como Lucian Freud, Venâncio criou uma pintura mais arrojada com pinceis mais carregado de tinta, dando uma nova característica em seu trabalho pelo dinamismo e um colorido mais intenso. Com a pintura mais densa, quando se está próximo a camada pictórica parece tudo muito confuso e descontrolado, porém quando se afasta há uma fusão ótica das cores, característico dos impressionistas, e o sentido das pinceladas aumenta a definição de volume.
A obra artística tende a se perenizar nas paredes e tetos de monumentos oficiais e particulares. Em 2000 a pintura mural de grandes dimensões incita ao desafio e proporciona envolvimento do artista a criação. É obra de Juarez Venâncio a pintura a óleo das paredes, tetos e altar da Capela Santo Antônio, de propriedade de Célia Soutto Mayor, em Brumadinho (MG). Em 2005, o Palácio das Artes de Belo Horizonte, Minas Gerais, encomenda “Teatromusicadança”, tríptico de 240 x 500 cm, representando as três artes em seus respectivos arcos, onde o artista se auto-retrata como um dos violinistas. O trabalho de Juarez se espalha em diversas regiões brasileiras como em outros monumentos em Batatais (SP), Belo Horizonte (MG) e Anápolis (GO). Além disso, suas telas fazem parte do acervo de órgãos oficiais, como o Palácio das Artes, o Palácio do Bispo, do Tribunal de Justiça, em Belo Horizonte (MG), do Museu de Arte de Ribeirão Preto - MARP (SP), Museu de Arte Contemporânea de Caraguatatuba (SP), Anatel Brasília (DF), Câmara dos Deputados Brasília (DF) e Senado Federal, Brasília (DF).